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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A CURA DO CANCER


ESTE ARTIGO NOS CHEGA COMO UM GRANDE PRESENTE DE NATAL E APROVEITO PARA PASSAR A TODOS VOCÊS.

A Cura do Câncer

ESPECIAL STUM: A Cura do Câncer

Parece mesmo que o Universo, a Mãe Terra, a Humanidade se cansaram de tanto
desmando, de tanta manipulação, de tanta insensibilidade e egoísmo que nos
limitavam, nos travavam em nossa caminhada.
Velhas máscaras estão caindo, após o colapso do sistema financeiro mundial,
expondo entranhas putrefeitas à vista de todos que têm olhos para ver e
mostrando a cara de seus limitados e perdulários líderes. Assim, de repente,
vimos um castelo de cartas ruir, uma grande bolha estourar, carregando junto
as economias e as ilusões de um enorme número de pessoas esquecidas das leis
universais, que se consideravam intocáveis, muito acima dos outros mortais.
Inteiros setores produtivos, antes considerados "locomotivas da economia",
valores de base e motivo de orgulho de países, ditos de primeiro mundo, são
hoje considerados decrépitos dinossauros, mas ainda aptos a sugar -para
poder ter alguma sobrevida-, o dinheiro de quem paga impostos... os
consumidores, os verdadeiros atores principais desta peça transformadora que
temos o privilégio de acompanhar e, sobretudo, de influenciar.

Pessoalmente, atribuo grande parte das mudanças em ato no Planeta, à
Internet, que, mesmo com todas suas falhas, nesta última década tem
produzido um volume de informações tão grande, completo e disseminado, que
está -inclusive- tirando das redes de TV polpuda fatia de público e de
anunciantes, e chegando agora a atingir os maiores jornais do mundo, como o
Los Angeles Times que ontem (9/12) declarou bancarrota, amargando uma dívida
de nada menos que 13 bilhões de dólares -cerca de 32 bilhões de Reais- ao
mesmo tempo em que outras organizações estão acabando com a impressão em
papel e desativando seus parques gráficos.

A Internet democratizou a informação, permitindo ainda a participação, a
troca de opiniões, a circulação de idéias e fatos relevantes de forma
direta; imediata. Pessoas com discernimento, bom senso e intuição têm hoje
seus espaços sagrados para, finalmente, expor conteúdo valioso, cumprir sua
função por aqui. Muitas, totalmente despertas, compartilham ativamente seus
achados, engajadas pra valer com seu projeto de vida, sabendo expressar,
manifestar com clareza seus pontos de vista, sua indignação, indo desta
forma muito além da decepcionante escolha de seus líderes, ao depositar
(freqüentemente a contragosto) seu voto na urna. A partir da Net, essas
pessoas estão provocando uma mudança permanente e irreversível, um
verdadeiro efeito dominó, sem precisar marchar em passeata nas ruas ou
exibindo comportamento explícito de rebeldia.

Bom, tudo o que escrevi até aqui é para introduzir algo muito especial,
extremamente importante... quem nos acompanha desde o começo (em Janeiro
próximo entramos no 10° ano de vida) sabe da nossa boa fé e da seriedade que
nos acompanham desde sempre, longe de sensacionalismos baratos e
superficialidades. É o seguinte:Faz cerca de dois meses que recebi de uma
usuária do site um e-mail que tratava da cura do câncer. Pesquisei, senti
firmeza e repassei para muita gente, aqui e lá fora. Estava espalhando uma
boa nova na rede, como muitos outros fizeram e, um belo dia, por outros
múltiplos caminhos, mensagens relacionadas começaram a voltar, desta vez com
mais e mais informações, dados, clareza e testemunhos viscerais que chegam a
nos tocar profundamente pela singeleza e pela espontaneidade dos pacientes
curados; seres outrora desenganados, após passar por cirurgias invasivas e
mais sessões de quimio e radioterapia. Procedimentos inúteis.

Sim, o câncer pode ser curado!

Foi assim que chegamos a conhecer, respeitar e agradecer ao Dr. Tullio
Simoncini, um médico oncologista italiano, uma pessoa do bem, corajosa e de
mente aberta que está descortinando um caminho talvez definitivo e de
simples compreensão, resgatando para a vida um sem número de pessoas
atingidas pela doença, que mata oito milhões e meio de pessoas a cada ano no
mundo. Seu primeiro "paciente terminal" entrou em remissão e continua vivo e
bem até hoje.
Mas, mesmo ovacionado de pé na 36ª e última Convenção anual de Terapias
Alternativas sobre o câncer, em Los Angeles, em Setembro passado, ele foi
destituído da ordem dos médicos e impedido de operar, sofrendo ainda um
maciço bombardeio por parte da mídia, promovido pelo jurássico e podre
sistema de poder local que deveria cuidar da Saúde dos pacientes, mas está
comprometido de forma promíscua com a indústria farmacêutica e seus
desmandos... provavelmente, o próximo grande setor a ser questionado,
revelado e redimensionado. É inadmissível que milhares de casos de cura
definitiva, obtidos com técnicas simples e eficazes nem sejam pesquisados,
simplesmente pelo potencial de prejudicar os astronômicos lucros futuros
deste cartel. É algo monstruoso, para se dizer pouco, mas que se aproxima
inexoravelmente de seu final. Sim, nada é mais forte do que a verdade que
liberta, que triunfa sobre a miséria da alma, a fraqueza do caráter, a
pobreza de espírito.

A descoberta é genial e bate com a sabedoria popular que já tinha colocado
seus rótulos aos maiores candidatos a padecer desse mal... sabe aquelas
pessoas "azedas", "cáusticas", "amargas"? Bingo!
Pois bem, o aspecto genético e o ambiental, considerados há décadas pelas
sumidades acadêmicas como os principais causadores da enfermidade, na
realidade, pouco tem a ver com as pessoas citadas. Em sua maioria elas,
infelizmente, são acompanhadas pelo pessimismo, pela frustração, pela
tristeza e pelo desconhecimento do sentido profundo da existência. Quem
acompanha o STUM faz algum tempo sabe da gravidade das emoções negativas,
das crenças equivocadas passadas de geração em geração, dos ressentimentos e
mágoas (Como é bom perdoar e perdoar-se!) que se manifestam por fim no corpo
físico em forma de doença, de degeneração celular.

Provavelmente, se colocarmos um medidor portátil digital de pH, (que custa
20 Dólares nos EUA -um instrumento que revela se uma solução líquida é
ácida, neutra ou alcalina- que bela e fácil prevenção, hein?!) na saliva de
uma dessas pessoas, verificaremos que o instrumento marcará algo em volta de
5, sendo que o valor neutro é 7 (praticamente o ideal. Acima de 7 temos as
soluções alcalinas).
Nessas condições de acidez, o organismo torna-se presa mais fácil de fungos
oportunistas, que proliferam em ambiente ácido, criando colônias, produzindo
eventualmente problemas fisiológicos graves que costumam ainda ser chamados
de "irreversíveis" pela ciência médica atual.

Bom observador e seguramente dono de uma intuição privilegiada, o Dr.
Simoncini começou a atacar os tumores, onde quer que se encontrassem no
corpo humano de seus pacientes, com soluções calibradas de bicarbonato de
sódio, o famoso e barato componente principal do "Sal de Frutas" (que os
apreciadores da feijoada bem conhecem), elemento alcalino que simplesmente
acaba com o habitat ácido, território favorável ao fungo invasor. (Aftas
costumam ser companheiras de jornada da doença do século e o bicarbonato
provou sua efetividade também com elas). Câncer de pele também começou a
regredir, a ser curado, utilizando-se para uso externo algo também bem
popular: a solução de tintura de iodo, pincelada diretamente sobre a pele.
Enfim, o caminho está aberto, funciona, é prático, simples, barato. Cabe
agora às pessoas de boa vontade e bom coração agir com foco, com coragem e
determinação para espalhar aos quatro cantos e introduzir de vez esta arte
de curar.

O site está fazendo sua parte... se Você sentir firmeza, ajude a espalhar a
mensagem para seus contatos; se tiver condições, ajude a traduzir -a partir
do italiano ou do inglês-, os dois idiomas que mais informações trazem sobre
esta revolucionária terapia.
Caso tenha esta possibilidade, deixe seu comentário
aqui manifestando sua
vontade de traduzir aquela parte específica do Site. Tomaremos nota e
coordenaremos as traduções evitando trabalhos duplicados. Todas as novidades
relativas à matéria serão atualizadas sempre neste mesmo link.
Neste link V.
encontrará a tradução que realizamos de um capítulo do Site dele
que explica como fazer a auto-aplicação do
bicarbonato de sódio em algumas situações específicas; vale a pena ler para
entender melhor a dinâmica da coisa.
Lembre-se sempre dos riscos da automedicação, sendo sempre o ideal contar
com a supervisão de um médico.
Também é extremamente oportuno ressaltar aqui que qualquer doença é um sinal
indicando a necessidade de realizar o quanto antes uma mudança de rumo em
nível interior, alimentando a Alma com pensamentos e atitudes de amor
universal e o corpo físico com uma alimentação consciente... e alcalina!
Confira mais informações sobre este tópico no texto
da Conceição
Trucom que acompanha este boletim especial.

Aquela parte esclarecida da classe médica que respeita o seu paciente, que
está aberta de verdade, pronta para evoluir em todos os sentidos e não
somente em termos de carreira ou financeiramente, poderá, por convicção ou
por curiosidade entrar em contato aqui e agora com a terapia do nosso novo
amigo Tullio, acessando e indo fundo nos links à disposição, somando com o
Todo, trazendo suas observações, suas contribuições e, por que não, se
aprimorando e começando a utilizar esta técnica em seu consultório ou onde
se tornar necessário. Abra sua mente e seu coração, vale a pena!

E a Você que nos acompanha, apóia, incentiva e participa e que chegou até
aqui, vai aquele pedido sincero e humilde de um irmão de caminhada... Seja a
portadora de boas novas como essa, de esperança, de alegria. Seja o Anjo que
espalha a semente do bem, para quem V. conhece e para quem somente acha que
não conhece. Dá na mesma. Não tem separação, só Integração, Unidade.
Sim, Somos UM só!

Namastê
Sergio STUM

Participe, clique aqui
e deixe seu comentário
Confira a seguir material em sintonia com este especial:
ARTIGOS
Mágoa
Câncer
Sobre o Câncer
Análise de Astromedicina
Conversando com a sua Mente
Câncer, o despertar do caranguejo

O câncer

Alimentos
crus

Câncer: Ajude sua célula a curá-lo


Rompendo com as crenças do passado

Novos enfoques para o desafio do século XXI

Terapia alternativa para
pacientes com câncer

© Somos Todos UM - direitos reservados. Boletim Ano 9, Edição 312.
Este boletim foi enviado para 688.393 assinantes.

Problemas para ver o boletim? Acesse:
http://www.somostodosum.com.br/boletim/cancer.asp

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sexta-feira, 28 de março de 2008

UM POUCO DE TANGO CONTRA O PARKINSON


A dança melhora o equilíbrio e o controle motor dos pacientes

Á vezes, o alívio para uma doença grave vem de onde menos se espera. É exatamente isso o que parece estar acontecendo em relação ao mal de Parkinson, doença cujas características são a perda progressiva da coordenação motora e dos ,movimentos musculares.Recentemente, cientistas da Washington University, nos Estados Unidos, anunciaram que o tango, a famosa dança argentina, pode ser uma boa estratégia de controle da doença.a antes, outro grupo de cientistas, na University Hospital Basel, na Suíça, publicou um trabalho mostrando que um remédio usado para controlar a pressão arterial reduz o risco de desenvolvimento da enfermidade.A pesquisa que demonstrou os benefícios do tango foi feita com 19 pacientes.Parte deles foi orientada a freqüentar 20 sessões da dança com duração de uma hora.A outra foi submetida à mesma quantidade de aulas com exercícios criados especialmente para portadores da doença. Os participantes se encontravam em estágios semelhantes da enfermidade e eram avaliados antes e depois das aulas. Ao final dos testes, os cientistas constataram que aqueles que participaram das aulas de tango apresentavam maior capacidade de equilíbrio – em várias posições – e também melhor mobilidade funcional, como é chamada a capacidade de executar movimentos simples, mas dos quais depende a autonomia, como levantar-se de uma cadeira sem ajuda e andar pequenas distâncias.
“O interessante é que esses benefícios foram usufruídos mesmo por aqueles que não dançavam há anos ou pensavam que não conseguiriam”, afirmou Gammon Earhart, coordenador do trabalho.
Os pesquisadores acreditam que os efeitos benéficos são derivados do fato de o tango requerer – e por isso mesmo estimular – alguns aspectos do movimento particularmente interessantes para ajudar no controle dos sintomas do Parkinson. Entre eles, a habilidade para se equilibrar, girar, iniciar um movimento rapidamente e andar para tas.
Na Suíça, depois de acompanhares 7,3 mil pessoas, os cientistas mostraram que as drogas bloqueadoras dos canais de cálcio – um dos gêneros usados contra hipertensão – diminuem em 23% a chance de desenvolvimento da doença. Não se sabe ainda por que isso acontece. Por aqui, a notícia animou especialistas como o professor Henrique Ferraz, da Universidade Feral de São Paulo e Egberto Barbosa, da Universidade de São Paulo. “É importante encontrarmos mais recursos que protejam contra a doença”, afirma Barbosa.De fato, o Parkinson ainda é um desafio Á MEDICINA. Não há, por exemplo, o conhecimento dos fatores que podem prevenir a doença.

CHEGA DE CHÁ DE CADEIRA


digo,
CHEGA DE SAUDADE - O FILME

Feliz da vida fui assistir ao badalado filme Chega de Saudade em uma sessão
para imprensa, no Rio de Janeiro. Brasília já tinha visto e dançado e a
sessão em São Paulo tinha sido na semana anterior. Finalmente havia chegado
a vez do Rio. É claro que nem tudo foi festa, começando pela minha chegada
no cinema errado quando rapidamente tive que ver meu email numa lan-house e
conferir o endereço. Chego então esbaforido e aguardo a sessão começar. Ao
contrário de sessão para video-locadores, a sessão para imprensa não tem
paparico algum, ótimo para a imparcialidade. Pela sinopse sabemos que o
filme retrata um típico baile da melhor idade paulistano e suas
idiossincrasias, com histórias cotidianas de seus frequentadores.

"Chega a hora do baile e, claro, temos os preparativos normais, gente
chegando, DJ arrumando equipamento e música começando a tocar. Ao chegar no
salão escuto um lindo samba instrumental e vejo o primeiros passos de dança
da noite. Pagode paulista era o que o casal estava dançando, claro, estou em
São Paulo, mas a maioria estava dançando o carioquissimo samba de gafieira.
Sentado e bem acomodado vejo o eterno campeão das pistas Álvaro chegando com
Alice. Estou com sede, tento chamar o garçon mas ele passa direto. Começa
então a tocar "Disritmia" na voz do próprio Martinho, afinal a banda ainda
não estava pronta e ainda estava na hora da música "mecânica". Aliás, eu
normalmente até prefiro música original com DJ do que banda, mas essa noite
a Ana ia cantar e a voz dela realmente vale a pena.

Quando então ela começa cantando "Não deixe o samba morrer", eu que já
estava com comichão para dançar começo a subir pelas paredes. Mas não tinha
dama do meu gosto e sou muito exigente, ainda mais agora que estou fora de
forma, se não tomar cuidado é mico na certa...
Eu tinha vindo por causa do Marquinhos, o DJ. Tinham me dito que ele mandava
bem. A Bel, sua namorada, tinha me adicionado no orkut no mês anterior. Só
que nem pude falar com ele porque ele estava preocupado com a Bel pois a
tinha trazido pela primeira vez ao baile e quando dava folga no som ele
sumia atrás dela. Também, trazer namorada que nunca dançou para baile é a
maior furada.
Pude então observar o baile, coisa que normalmente eu não fazia, pois sempre
que ia aos bailes eu dançava e não dava tempo de ficar prestando atenção.

Comecei a perceber o pessoal azarando na maior cara-de-pau e pouca-vergonha,
era beijo na boca, olhares furtivos, convites indecorosos, casais se
esfregando. Eu nunca tinha visto isso em anos de bailes no Rio de Janeiro.
Será que os bailes em São Paulo são diferentes ou eu é que só me preocupava
em dançar e não notava ?? É verdade que já tinha visto tudo aquilo antes,
mas nunca numa só noite. Tudo o que eu imaginava acontecer em festas raves
ou bailes funks estava acontecendo, inacreditável !!
Enfim, muitas surpresas e finalmente me toco que eu estava tomando o maior
chá de cadeira. Será que era por isso que eu comecei a achar que não
conhecia aquele lugar ? Afinal, eu só dançava em bailes e nunca observava
tão atentamente.

Ah, vejo o Ernesto vindo em minha direção. Ia finalmente perguntar o que
estava acontecendo mas ele passa direto, transtornado. O Eudes então, não
saía de perto de uma menininha que não dava para ver o rosto e não me deu
nem um oi. Acho que ele vai apanhar hoje, a Marici, que é cacho dele, estava
uma arara e com razão. Chega então o final do baile e meu primeiro chá de
cadeira. Passei o baile inteiro doido para dançar, parecia que ninguém me
via ali, sentado na platéia do cinema...."

Ao contrário de Brasília, na sessão que fui ninguém dançou...

Acredito ser este o primeiro filme brasileiro com tema específico de dança
de salão depois dos filmes da época da lambada. Felizmente no teatro temos
já várias peças realizadas e espero que este seja o primeiro de muitos
filmes. As histórias do filme ocorrem dentro de um salão de baile, mas estão
longe de serem histórias de dança, são histórias de vida, com alegrias e
tristezas inerentes ao ser humano.

Marco Antonio Perna
Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2008


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Marco Antonio Perna (} _()__/ \__@_ {)/
Coordenador Geral #> /\ / \ /\_.__<_/> \ /_\
Brazilian Ballroom Dancing Agenda ### \ /\ /\ /
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domingo, 12 de agosto de 2007

O Homem conduz mas a mulher não é uma marionete

O homem conduz mas a mulher não é uma marionete

Existem idéias sobre o tango que, às vezes, sem serem explicitas, tem conseqüências sobre a forma em que se dança o tango. Como no tango o homem é quem toma a seu cargo a condução da dança (direção, figuras, etc.) se tende a ver isto de forma mecânica. Determinada marca é um estímulo que forma parte de um arco refletido, é dizer: tal estímulo produz determinada resposta automática. Efetivamente, a marca do homem condiciona o que faz a mulher. É lei no tango que o homem conduza isto, no entanto, não quer dizer que a mulher seja uma marionete, pois se apagaria a produção conjunta do baile e sobre toda a emoção que tem nela. Se um é guiado por este mecanismo (ainda que seja sem se dar conta) na forma de considerar a marca do homem e a resposta a ela se pode registrar várias conseqüências. Pode-se notar nos começos da aprendizagem, tanto no homem como na mulher que, efetivamente, muitos se formam nesta idéia da condução. Vemos então que os homens realizam marcas mecânicas e desarticuladas e as mulheres respondem de forma imediata ou em forma resistida, mas sem considerar o que elas podem fazer nessa resposta. Tende-se a recortar muito esquematicamente os sinais das marcas. A mão que marca na espádua e os braços parecem desarticulados do resto do corpo. Separa-se a marca de toda a intenção corporal de até aonde quer ir o homem ou que figura quer fazer. Isto tem conseqüências negativas sobre a forma de marcar e conduzir. Exageram a marca mais do que o conveniente, como se o movimento de uma mão devesse ser muito notório para obter a resposta desejada. Na mulher é possível observar isto no que o passo CAI, como se a mulher não tomasse para si o tempo ou a intenção, e como se não pudesse sustentar seu corpo a margem do homem ou como se o passo ela não o fizesse. Quiçá seria conveniente transformar a idéia de esquema estímulo-resposta por uma engrenagem, aonde a ação do homem (todo seu corpo, sua sensibilidade e sua intenção) conduz a que a mulher também produza ações (com todo seu corpo, sua sensibilidade e sua intenção) que por sua vez encadeiam nas ações do homem e assim sucessivamente, sendo muito difícil separar absolutamente a ação de um da do outro.
Interessa-me referir-me à parte do dançar da mulher, pois ainda que sempre se diga que é muito mais simples que a do homem (e isto é certo) sem dúvida deve empreender uma árdua tarefa. Deve por um lado afinar sua sensibilidade para reconhecer a intenção do homem e, ao mesmo tempo, responder com sua segurança, sua consistência nos passos e seu tempo de dança. Um delicado equilíbrio que articula sua necessária e sutil disponibilidade a responder à condução do homem e sua firmeza, segurança e destreza na dança.
Então, ainda que o trabalho de converter-se em uma boa bailarina implique uma tarefa menos complexa que a do homem, não deve descuidar-se a dificuldade que supõe a delicada tarefa de articular sua disponibilidade à condução do homem com a firmeza de sua dança. E isto pode apresentar problemas, agravam-se alguns desses termos.
Se agravar-se a disponibilidade pode chegar a responder automaticamente à marca. Freqüentemente a mulher, em seus inícios, responde automaticamente. O passo se faz breve, pouco consistente, como se caísse. O efeito é que a mulher é arrastada, repreendida e até perde o equilíbrio. É um "pudim" que não baila, senão que é bailado. Ela responde automaticamente à marca e não dá a ela seu volume, sua distância e seu estilo aos passos.
Se ela inclina a balança do lado da firmeza talvez não possa bailar em companhia e sensivelmente. Ao se subtrair à entrega ao baile e ao que a conduz, talvez pareça que baila só, como soslaiando a engrenagem da qual faz parte. Na engrenagem as duas peças devem se ajustar, coincidir, se encontrar, dialogar, ao fim das contas não é uma maquinaria (ainda que às vezes o pareça) senão um diálogo de sensibilidades.
Uma das características do dançar da mulher está em seus adornos, mas, sobre tudo, em sua maestria para saber seguir ao homem e bailar com seu estilo.
Quando uma boa bailarina responde muito bem à marca, pode dançar com cada homem impondo seu próprio estilo e ao mesmo tempo em correspondência com o estilo de dançar do homem. Isto pode parecer aos olhos dos demais como que a mulher já saiba o que vai fazer o homem. A marca ou a condução masculina não se nota. Parece que já soubesse o que é que vai fazer. Sua resposta é imediata, mas muito consistente. Não se nota que está deixando se levar e que é absolutamente sensível e disposta condução masculina. Adverte-se sua presença por seu estilo, porque torna fácil essa dificuldade de entender e perceber a marca do homem e logra incluir seu estilo, suas figuras, seus adornos, seu bailar.
Artigo publicado na Revista B.A.Tango, Ano IV, Número 89, dezembro de 1998, Buenos Aires


Tradução de Regina Santana

Dançarino Simpático



Segue texto de Leonor Costa, do Blog Falando de Danças, sobre o que é um Dançarino Simpático:

Segundo o Aurélio, simpatia é um sentimento caloroso e espontâneo que alguém experimenta em relação a outrem. Um sorriso espontâneo, um gesto de solidariedade, maneiras educadas, comportamento ímpar entre seus pares (desculpe o trocadilho).

Mas o que seria esse comportamento ímpar no meio da dança, em especial do tango?

Sob o ponto de vista feminino, um cavalheiro simpático no meio da dança é aquele que se faz presente no salão. Não de forma chamativa, extravagante, como se fosse um astro de novela global. Tão pouco tímido e tão discreto que sua presença custa a ser notada.

Talvez aquele cavalheiro que saiba respeitar as damas que se esmeram para se apresentar bem nos salões de dança e, pelo menos em consideração a isso, evita comparecer de tênis, jeans surrados ou camisetas, e procura se apresentar de forma elegante e asseada, trajando-se de acordo com a formalidade do ambiente.

É, com certeza, aquele cavalheiro que chega no salão e se esforça em cumprimentar as colegas, nem que seja com um aceno, uma inclinação da cabeça ao bailar pelo salão, um sorriso camarada.

E, nossa, simpático, aquele cavalheiro que se comporta como verdadeiro cavalheiro, procurando dançar ao menos uma música com algumas de suas colegas, mesmo que esteja acompanhado.

Simpático e educado, aquele cavalheiro que vai buscar a dama onde ela está e não fica acenando para que ela venha até ele no meio do salão. E que calcula o tempo da música de forma a estar próximo do local de partida ao término da mesma, para que a dama não tenha que atravessar sozinha o salão para retornar ao seu lugar. Mais educado e simpático, ainda, se conduzir a dama ao local onde a pegou.

E muito, muitíssimo simpático, o cavalheiro que ao conduzir a dama ao seu lugar aproveita e tira também para dançar a colega que está na mesma mesa.

Aí estão, a meu ver, alguns dos itens que tornam os cavalheiros simpáticos aos olhos das damas.


Por Leonor Costa, Falando de Danças.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Tango - Estilo de Vida.


O Tango – Estilo de Vida

O Tango é mais que apenas uma dança, uma música ou mesmo uma arte... É uma verdadeira Filosofia de Vida... Um modo de viver. No início a gente passa a interessar pelo Tango simplesmente como um passatempo agradável, um lazer , uma música , e então esse interesse vai crescendo lentamente até tornar-se uma obsessão. E gradativamente vai transformando o seu estilo de vida, o seu modo de vestir, suas amizades, o meio que freqüenta, seus interesses... Tudo muda . O Tango não é apenas uma combinação de lindos e espetaculares passos ou coreografia... É um conjunto de emoções humanas : paixão, felicidade, desejo, amor, tristeza, rancor, melancolia...
Cada pessoa o interpreta de acordo com os seus sentimentos, e o resultado expressa na pista de baile, cada um com seu estilo individual. Você poderá escrever várias páginas sobre os seus sentimentos, mas isso não fará com que os outros possam senti-los. Já no Tango, basta apenas um toque, um movimento único no assoalho de dança e você poderá saber muito e em um único momento. O Tango lhe permite comunicar seus sentimentos e as suas emoções com maior intensidade. Se você está feliz, triste ou irritado, seus sentimentos refletem na sua maneira de dançar. Todos os movimentos que parecem ser os mesmos, sairão diferentes dependendo do seu estado emocional naquele momento, da música que está tocando ou com quem está dançando. Os seus movimentos sairão diferentes. O Tango continua sendo o mesmo. Ele é pura improvisação. Cada dança é sempre original... Você poderá saber as etapas no seu principal... Mas seu coração diz-lhe onde mover-se. O tango, traz junto, toda sua trajetória, os momentos de todas as suas caminhadas da vida... E apaga as diferenças! Não importa se você é velho... Não importa quem você é ou como vive... O que importa é que você quer dançar... Quando você está na pista de dança, nada mais existe em torno de você... Você se rende à música e se deixa mover. Entra profundamente dentro do seu coração, de sua alma, envolvendo-o totalmente , até o término da música. Tango não é apenas uma dança... É um estilo de vida... é distintivo, é infinito, é para sempre. E com uma única canção, com uma única dança, extrai-se o mais forte dentro de você, o seu desempenho, do qual você faz parte dele.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Milonga do Milo



Milonga do Milo

Como todos sabemos o tango é uma dança muito rica e com grande tradição. Petróleo, um grande dançarino e professor de tango, já falecido, costumava dizer que para se dançar tango o dançarino deve partir da linha coreográfica mais comum, vigente em sua época, e que depois por meio de engenhosidade deve inserir seu traço definitório pessoal. Posteriormente, quando já tiver passado por várias fases na sua dança e possuir substância tanguera, poderá criar movimentos novos que vão colocá-lo acima de sua própria época.

Muitos foram os que fizeram isso e muitos serão os que ainda o farão. Na história do tango-dança nada é descartado mas tudo é transformado, recriado, revivido.

Milonga do Milo.

Local : R. Tomé de Souza, 935, 2º andar. Savassi. Esquina com Pernambuco.

A Milonga do Milo é um ponto de encontro dos dançarinos e apreciadores do tango em BH. Buscamos recriar um pouco do ambiente mágico dos bailes portenhos em nossa cidade. Boa milonga de fim de ano e felicidades!

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Por que Tango?



Por que tango ?

(Trechos do artigo de Sally Potter, diretora do filme "Uma Lição de Tango". Original na página www.cosmotango.com ).

Na última década presenciou-se, no mundo inteiro, um crescente interesse pelo Tango Argentino.

Clubes e associações de tango são criadas nos lugares mais inesperados. Em Londres, por exemplo, pode-se bailar tango todos os dias da semana. Em pequenos povoados da Holanda, Alemanha, e até na Finlândia, aficcionados pelo tango reúnem-se noite após noite. O Japão tem sua própria sub-cultura do tango. Espetáculos com essa dança particular são exibidos todas as noites em teatros cheios da Broadway, Paris, Londres, Berlim e Tokio. Por que?

As danças sociais surgem de uma profunda necessidade física de criar uma linguagem através da qual as pessoas possam se comunicar umas com as outras sem palavras. No entanto, à partir dos anos sessenta a maioria das danças sociais do ocidente tornam-se uma atividade essencialmente solitária. As pessoas passam a ter seus próprios afazeres, pouco se importando com as necessidades dos outros, pouco se preocupando com regras ou convenções. Só que durante a última década houve um grande resurgimento do interesse pelas danças de salão : Valsa, Quickstep, as danças latinas, como Salsa, Rumba, Mambo, além de diversas formas de Jive (modo particular de se dançar o Jazz).

O Tango Argentino, do seu lado, conservou um lugar único no mundo das danças de casal. Os corpos se encontram mais juntos, havendo mais intimidade do que em qualquer outra forma de dança - mesmo assim, as pernas se movem com maior rapidez e precisão que em qualquer outra dança. É essa combinação entre contato sensual, meditativo e relaxado da parte superior do corpo com a precisão quase comparável a das artes marciais, na parte inferior do corpo, que dá ao tango sua identidade única. Junte-se a esta mistura vibrante, a música melancólica, arrebatadora, voraz, estrondosa, avassaladora, soberba, contemplativa e de uma beleza que parte o coração ( especialmente se comparada à insipidez da maioria das músicas tocadas nos salões de dança) e você terá os ingredientes para algo que vai além de uma mera moda. Você terá um forma de arte genuinamente participativa, que é capaz de expressar os mais profundos e complexos anseios que possamos ter com relação a nossas vidas, o outro e com relação à própria natureza de nossa existência.

Com a chegada do novo milénio, o tango é evidentemente, uma vez mais, uma forma de arte viva, que tem Buenos Aires como epicentro de um fenômeno cultural. O tango continua essencialmente uma forma musical popular, enraizada na forma visceral da sua dança, combinando beleza melódica e poética com seu ritmo inconfundível. Impetuoso e apaixonado, sensual e meditativo, melancólico e alegre, é genuinamente argentino e, sem sombra de dúvida , universalmente acessível. O Tango é tão complexo quanto suas origens e tão simples quanto o impulso primário de dois seres humanos se moverem como um só.

Enviado pela Milonga Milo - Belo Horizonte -MG

domingo, 22 de julho de 2007

Os Quatro Segredos de um Bom Bailarino



OS QUATRO SEGREDOS DE UM BOM BAILARINO (A).

CONEXÃO – Conexão Emocional e criatividade a partir dessa conexão. Isto é que faz do Tango Argentino uma dança única e é o primeiro segredo de um bom bailarino ou bailarina.
Seja no estilo “salão”, “milongueiro”, “do centro” ou “novo”, se não há conexão emocional entre quem “marca” e quem se “entrega” a essa marca, podem estar fazendo passos interessantes e espetaculares, mas certamente não estão bailando Tango.
...E a conexão emocional é muito delicada... Muito difícil de conseguir... e muito fácil de perder...
Se no decorrer de uma “classe de tango”, ainda mais numa Milonga, nossos temores (ou por não ser aceito, ou por não gostar de outra pessoa, ou por esquecer os passos, e tantos outros medos) nos assaltam, e se não pudermos controlá-los e fazê-los de um lado, a conexão emocional não poderá se estabelecer.
Isto é especialmente uma realidade no caso de muitos dançarinos menos acostumados a estar em contato com suas emoções.
Para se ter uma boa conexão emocional com o parceiro (a) de dança, sem dúvida temos que conhecer e poder até certo ponto, controlar nossas emoções, ainda que em certos momentos nossa auto estima se veja ameaçada... E aqui não vale aquele velho truque de esconder as emoções dentro de um muro de tensão física/muscular, porque então nosso corpo não poderá render e expressar livremente...Assim é que para poder liberar nossas emoções, tanto ao amador da milonga, como os profissionais frente a uma exibição, têm que aprender a controlar as respirações coordenadas com os movimentos, para conseguirem que os músculos relaxem adequadamente, e mais ainda, aprender a reconhecer e controlar aqueles estados emocionais extremos que nos afetam em nossa vida cotidiana, para que não prejudique eventualmente o movimento de bailar.
Quando começamos a bailar tango, também começa em nós, um processo curativo de nossas emoções. Seja porque recebemos mais abraços... nossa vida social se expande... estamos mais em contato com o sexo oposto... ou porque nos enfrentamos com nossas limitações corporais, sociais ou de ralações... De um modo ou de outro nossas emoções se vêem ameaçadas profunda e fortemente... Assim nos apresenta a oportunidade de descobrir mais sobre nós mesmos em relação com os demais... E isto não é pouca coisa... É todo um desafio...
Outra característica distinta do tango e o segundo segredo de um bom bailarino (a) é a DISSOCIAÇÃO no movimento da parte superior e inferior do Corpo.
Nosso ombro deve estar sempre enfrentando ao do parceiro (a), de maneira que apesar do ombro ficar imóvel, a bacia move em sentido contrário... ou fica imóvel, apesar do ombro se mover para liberar ou seguir ao parceiro (a), com a rapidez que a música nos exige...
Isto requer uma grande flexibilidade da espinha dorsal, de outro modo impedirá o movimento adequado, ou poderá resultar em danos a curto ou longo prazo por não estar preparada para o movimento requerido...
E esta dissociação do movimento do corpo não só deve realizar-se ao ritmo da música, mas também em torno do próprio EIXO – que é o terceiro segredo, para manter o equilíbrio, e não fazer perder o eixo do parceiro (a).
Cada corpo é diferente e tem uma historia diferente... Portanto, necessitará trabalhar com diferentes exercícios para conseguir as posturas ou figuras indicadas, que exigem em sua maioria uma grande rotação da coluna vertebral... ou para corrigir dificuldades posturais de base para reencontrar-se primeiro com seu próprio eixo, e logo aprender a não perde-lo durante a dança... assim como aprender a caminhar de maneira elegante (gatuna) de tangueiro (a).
Nos Workshops e classes de Dance Yoga descobrimos o próprio EIXO e conseguimos estar em equilíbrio mais além dos movimentos que realizamos com o corpo e em relação com nosso parceiro (a). Alongamos os músculos a partir da respiração e o “não esforço” para conseguir qualquer figura/postura do corpo sem perder o equilíbrio... Conseguimos com exercícios que nos preparam para uma correta e rápida DISSOCIAÇÃO corporal no movimento indicado... Conseguimos fluidez e sensualidade nos movimentos e no caminhar... E, sobretudo, aprendemos a controlar nossas emoções para conseguir a indispensável CONEXÃO EMOCIONAL com o parceiro/a para bailar.
Então, DANCE YOGA nos conduz ao Quarto e mais importante segredo de um bom bailarino/a de tango, que se esconde detrás dos outros três. Este segredo, tão bem guardado, é a Relação Física y Emocional Profunda que conduz à Inspiração. Os geniais bailarinos (as) são aqueles capazes de fundir suas emoções com a música e expressá-las em seus movimentos. E isto só é possível através de uma total entrega ao movimento presente e ao prazer de bailar.
E para “entregar-se” tem que saber “relaxar-se”... que não é o mesmo que “abandonar-se” ou “dormir-se”.

Fonte Revista “La Milonga Argentina” por Carmen Iglesias
Traduzido por Elza Moreira.

Un Fervor no Solo de Buenos Aires



Un Fervor no Solo de Buenos Aires.

"NOCHE DE TANGO" - Um documentário que passou na Televisão, que conta as origens da Música da cidade de Bs.As. - Vejam o vídeo na ~página de vídeos - "Códigos de Tango".

Existe em Buenos Aires uma atividade que chama a atenção em todo o mundo e que atrae atualmente um número crescente de turistas que chegam à cidade para viver a experiência de passar um tempo nos lugares onde se realiza esse ritual que supera um século de existência. Os que vivem na cidade não têm consciência total do interesse que desperta nos estrangeiros tudo que se relaciona com o tango e, em especial, essa maneira de bailar abraçados que se pratica nas reuniões que os porteños chamam de Milongas.
Para descobri-los, The History Cannel, apresentou um documentário, Noche de Tango, no qual revê-se de maneira exaustiva a história e os detalhes desta tradição que começou há mais de um século nas portas dos bordeis da cidade, onde os homens que esperavam a hora para ser atendidos se entretiam bailando entre eles o compasso da musica de tango.
A produção deste trabalho foi realizada pela Companhia local Nativa e a condução está a cargo de Antonio Birabent, que percorre o mundo milongueiro e os principais ambientes onde se baila o tango , recebendo o testemunho de quem o pratica e ensinam. O trabalho conta com assessoramento do poeta e historiador uruguayo Horacio Ferrer, uma grande referência em tudo que se refere a este genero musical, e que já foi condecorado duas vezes com o premio Konex (em 1985 e 2005), fundou a Academia de Tango e o Museu de Tango de Buenos Aires e escreveu mais de 40 tangos para seu amigo Astor Piazzolla, entre outras coisas.

Reportagem Completa:

Com a apresentação de Birabent, o documentário começa percorrendo a noite de Buenos Aires em busca dos lugares onde se realiza as Milongas mais importantes e os testemunhos dos que visitam e conduzem estes lugares.
A par desta primeira aproximação ao universo tanguero, os especialistas em historia do tango, contam neste especial, a maneira como nasceu a tradição em uma cidade superpovoada de homens sós, que vieram da Europa em busca de novos horizontes e cuja possibilidade mais concreta de encontrar contato feminino, estava nos bordeis. Esta situação fazia que nas portas destes lugares sempre haviam filas de homens esperando e que, para passar o tempo, se punham a bailar o tango entre si.
A reportagem se detém , depois a analisar as caracteristicas das milongas, as particularidades de algumas delas e a historia de como nasceram as mais famosas. O ponto seguinte é o dos códigos que existem e com o qual se comunicam aqueles que frequentam o particular universo dos milongueiros e as regras que se devem acatar para ser parte dele.
Mais adiante, mostra como se aprende a bailar o tango em seus diferentes estilos, desde o primitivo, que se bailava na rua e que é conhecido como Canyengue, até o de palco(artistico), com ele que se montam os espetaculos que deslumbram os turistas e porteños em Buenos Aires e percorrem com êxitos, importantes cidades do mundo. Tão pouco falta no detalhado percurso de Birabent, uma parada na questão da indumentária com a qual se acompanha o ritual de bailar o tango, de sua historia, de como foi variando segundo as distintas épocas e o que significa cada detalhe do código milongueiro. A música, por exemplo, é outro elemento que não poderia faltar na reportagem; e suas análises se realiza concentrando-se, em primeiro lugar, no tema dos diferentes estilos que existem no tango e, em segundo lugar, nas diferentes maneiras de bailar que conduzem por sua vez a esses estilos.
No final do programa está dedicado aos bailarinos e a filosofia tangueira. No primeiro tema, aparecem as trajetorias de prestigiosas figuras como Miguel Angel Zotto, as "parejas" Gloria y Rodolfo Dinzel, ou Martha Antón e Manuel Salvador Eduardo Arquimbau, entre outros, contados por eles mesmos. O segundo tema se desenvolve a partir da definição do Tango que fez Enrique Santos Discépolo, quando disse que "o tango é o pensamento que se pode bailar" e as opiniões de Ferrer que sutenta que o tango e o rock são expressões que transcendem a sua condição de gêneros musicais e transformam numa verdadeira filosofia de vida.

Ricardo Marín
Texto publicado no site: http://www.lanacion.com.ar/
Recebido por email
Traduzido por Elza Moreira.

domingo, 15 de julho de 2007

Dançarino que dança e dançarino que executa



Dançarino que dança e dançarino que executa!!

No salão vemos muitos dançarinos que dançam e outros que executam... Qual e a diferença???.
Existem os que executam, são aqueles que tecnicamente podem ser até bons , más na hora de expressar emoções , e não fazer caras e bocas,não dão conta do recado, já que as emoções não afloram de dentro pra fora. esses dançarinos são os que executam, é representam um 98% do salão.
Estava esquecendo ,eles aínda querem ser olhados, e se concentram mais nisso, na galera que está no baile, do que entregar-se na dança, e os profissionais são os que mais fazem isso.

Existem os que dançam, são aqueles que tecnicamente são bons ou não(aí a primeira diferença), mas conseguem se comunicar , interpretar a música, e sobre todo emocionarse é emocionar aos que asistem.

Para mim o primeiro passo para ser um bom dançarino é o seguinte: Obter a maxima expressão no minimo movimento.... já imaginaram com o maximo, aí e covardía.
O segundo passo,es deixar fluir sentimentos e sensações, cosa que ultimamente se torna difícil, já que a unica coisa que interessa tanto a professores , como alunos, e academias, e simplesmente ensinar, aprender y executar passos. Já que o professor tem que ganhar dinheiro, o aluno pensa que sabendo muitos passos sabe dançar, e as academias com esse sistema, que é comercial, fazem um pouco mas de dinheiro.E para dançar, primeiro se tem que conhecer o corpo, porque de aí em mas conheceremos nosso interior , e aí sim , algúm dia chegará a dança.

Aqui deixo minha humilde opinião, vcs que acham??.

Javier Amaya

bailar tango


E-mail Aberto.

Vamos inovar? Não existe "carta aberta?" Por que não e-mail aberto? Resolvi dividir com os amantes da dança, como eu, algumas considerações que venho tecendo em relação as diversas formas de irmos ao encontro da dança. Ela me embala em, praticamente, todos os meus momentos. E hoje, num deles,me peguei refletindo sobre as mudanças de posturas, atitudes e formas de VIVER os diversos momentos maravilhosos da dança.
Quem não se lembra das festas/bailes de outrora aonde os corações femininos se surpreendiam com taquicardias ou arritimias com a aproximação dos cavalheiros cruzando os salões em direção das "damas"?
Quem não se lembra dos cavalheiros que, ao convidarem um "dama" para dançar, ao retorná-la à sua mesa, estendia o convite às suas amigas?
Quem não se lembra dos anfitriões que cumpriam o "ritual" que as normas sociais impõem de que é de "bom tom" dançar com cada uma de suas convidadas?
Plageando John Gray no livro "Os Homens São de Marte e as Mulheres Sào de Vênus" e, posteriromente, a peça, Os Homens São de Marte e é pra lá Que Eu Vou..., se algum de vocês conhecerem um lugar aonde os cavalheiros ainda se comportem como nos velhos tempos, avisem-me porque é pra lá que eu vou. Como não vou dar conta do recado e não sou nada egoísta, vou levar todas as minhas amigas para desfrutarem de bons momentos "dançantes". Posso garantir que os organizadores dos bailes economizarão dinheiro , tempo e aborrecimentos no empenho de divulgarem os eventos e não permitirem que a dança fique anêmica. Os bailes, com toda a certeza, ficarão repletos pois atingirão o objetivo primordial que é o prazer da dança pelo prazer de, simplesmente, dançar.
E aí, vamos inovar? Quem sabe os nossos atuais gentis "cavalheiros" se animem e surpreendam as "damas"nos próximos bailes, rodopiando pelos salões e esvaziando as cadeiras que têm melhor uso nos restaurantes, cinemas ou teatros. Vamos embelezar os salões e compartilhar de uma forma mais intensa de todos os momentos que os nossos amigos organizadores dos bailes com tanto carinho preparam para nós? ...
Um beijo carinhoso,
Sofia

Tango



TANGO
interpretación milonguera Primera persona del presente del indicativo

YO QUIERO Un tango danza que hable de recuerdos, que diga de tiempos, que me emborrache de emociones, que dramatice el sentir y al volcarlo en vivencias puras, que transmita estados anímicos superiores, que dicte normas elevando el mensaje a la suprema forma de expresarlo.
YO QUIERO Un tango milonguero que arranque de un compás y me lleve a las figuras verdaderas donde se encuentre la raíz de la danza, cuando al verlas ejecutar, suene y las baile al mismo tiempo con el que las desarrolla, yo busco la calidad, lo superior de lo bueno, de lo mejor, lo infinito, para poder decir como ASHTON "detrás del movimiento aún del más perfecto, hay un vacío, si no hay sentimiento".
YO QUIERO Ese sentimiento y aunque cueste hallarlo al encontrarlo lo vuelco, como la sal, que le da sabor a las formas reales de la danza.
YO QUIERO Un tango que esté en el sendero de la verdad aunque se, halle solo, siga adelante, que no desfallezca, y cuando las fuerzas se agoten usen el aforismo de Almafuerte que es: "no te des por vencido, ni aún vencido".
YO QUIERO Un tango que toque los sentidos, porque encontró el camino que conduce a la belleza y no se bifurque en otros que lo puedan tentar con oropeles falsos de arte.
YO QUIERO Un tango de renovación, de innovación, revolucionario, que modifique todo lo actuado, que tenga formas inéditas de supremo encanto, que toque los encuadres superiores, que alcance la cúspide de lo inigualado, y que todo lo actuado sirva de base, para levantar el pilar donde se sostenga la perfección.
YO QUIERO Un tango danza con virtudes que desechen todo lo actuado en impurezas, que arroje todo lo espurio, que baile en todo su esplendor, que pasee las formas perfectas de lo lindo y nos ofrezca a los ojos la alegría de mirarlo.
YO QUIERO Un tango con las formas clásicas de los movimientos que son: doblar, estirar, levantar, resbalar, saltar, lanzar y girar. Al que hay que agregarle otros para hacerlo más perfecto que son: arrastrar, golpear, trasladar, vocear, repiquetear y balancear. Aparte de hacer el "adagio" en los silencios e incorporar el "allegro" para los momentos vivos, para pasar la barrera de la danza perfecta, para hacer de este baile enlazado, la manifestación más completa y estilizada en materia coreográfica.
YO QUIERO Que los pies y los brazos traduzcan el mensaje, el cuerpo, su sandunga, este enjambre armonioso de conjunciones reales que lleva el tango a las alturas de la perfección, donde todos los elementos se compulsan para arrojar el resultado de la belleza, impulsado por las formas del clasicismo puro.

Carlos Alberto Estévez (Petróleo)
(Contribuição de Nuevos Ayres)

Aprendamos a bailar o Tango



Queridos amigos y amigas

Este adjunto contiene un interesante material, basado en los conceptos de un experiementado bailarín y enseñanate argentino del TANGO.

Por favor, ruego me respondan si pudieron apreciar su contenido sin inconvenientes.

Con todo mi cariño.
GUILLERMO

Aprendamos a dançar o Tango

Hoje, 9 de janeiro de 2006, queria passar a lhes pedir algo com o carinho e respeito que sinto por todos vocês. Isto não é uma censura para ninguém, o que eu quero é que toda a juventude que dança tango entenda meu motivo: Não mascare o tango sob nenhum ponto de vista, porque esta música tão apaixonante nos dá vida, energia, prazer e assim nos sentimos melhor.

Depois de muitos anos de ver bailarinos e mestres, penso que não pode haver tantos erros no ensino nem nas exibições. Passo a lhes contar qual é minha idéia. Sempre soube que a música é a base principal do tango. Também é aprender a caminhar com ela, trazendo equilíbrio e cadência.

Não poderia lhes dizer que não existe uma técnica quando se dança, mas sim que seria melhor que se ensinasse a dançar mais livremente, para si mesmo... aí está a diversão... Ninguém nos compromete ao nos observar, porque dançamos para nós.

Nisto que digo, penso que muitos estão mascarando o tango em algo que não é verdade, porque o tango é música e não se começa pelos passos, nem temos que cometer o erro de não ensinar como caminhar diferentes compassos musicais para reconhecer cada orquestra. Muita gente que está ensinando teria que aprender primeiro a dançar tango, para poder ensinar dando tudo de si mesmo, para não frustrar seus alunos nem prejudicar sua imagem como professor.

O tango não é um negócio, ainda que muitos o vejam assim. O tango é parte de nossa vida, parte de nossos avós, pais, mães, irmãos e amigos. É nossa vida. Não deveríamos nos equivocar tanto e teríamos que voltar a conquistá-lo, já que estamos perdendo-o por não respeita-lo.

Queridos amigos, bailarinas e bailarinos, como isto que fazem é um trabalho a mais na vida de alguém, por respeito a vocês mesmo, em suas exibições seria bom que dançassem mais tango e menos acrobacia, ballet ou qualquer coisa que não seja tango. Não quero crer que também com as exibições concorram: sabemos que cada par deveria criar seu estilo, e além do que não se deveria dançar música que não é tango. Não mintam nisso para vocês mesmo nem às pessoas.

E para a comunidade tanguera da Europa e do resto do mundo dou a eles um conselho: gostaria que abrissem os olhos a respeito de como aprender a dançar, principalmente aos organizadores de estágios e aos professores, com todo meu carinho, que saibam que, quando se organiza algo, trata-se de levar os melhores bailarinos e mestres, para poder ensinar o que é devido. Sem a música, sem a cadência, a postura, o equilíbrio, de nada servem os passos e para isso necessitamos de mestres e professores autênticos. Assim que, bom, desde o fundo do meu coração, com um pouco de tristeza, gostaria que vocês pensem sobre isto e, se tiverem algo para me dizer, gostaria que o fizessem, por meio de revista ou do que quer que seja, se quiserem queixar-se falem comigo, eu vou ao baile: venham a mim, digam-me, perguntem-me e eu respondo... vou responder a todos, não tenham medo que não vou deixar ninguém sem resposta, mas por favor mudem o sistema, ponham um sistema onde todos sejamos alegres, onde possamos dançar o tango, onde sejamos felizes e onde possamos ter muito mais pessoas, sem vender a eles mais nenhuma mentira, eu desde já mando um beijo e um abraço para todos vocês e espero que este ano que se iniciou seja o mais feliz para todos. Obrigado, Tete.

Tradução: Regina Santana.

Texto de : TETÉ RUSCONI (Maestro de Tango Argentino)

Orquestra Tipica Imperial



A orquestra típica, surgida na época de ouro do tango, é uma das formações mais evoluídas dentro da música popular. A Orquestra Típica Imperial retoma essa formação com três bandoneóns, três violinos, violoncelo, contrabaixo, piano e cantor e, partindo do compromisso com um som puramente tanguero, continua o desenvolvimento do gênero. Sua música recebe a influência do maestro Osvaldo Pugliese, e seu trabalho instrumental transmite a força e a têmpera do sentir rioplatense.
A Orquestra Típica Imperial foi formada em julho de 1999 e foi uma das fundadoras do movimento cultural denominado La máquina Tanguera (A Máquina Tanguera). Interpreta arranjos próprios de tangos tradicionais instrumentais e cantados (entre eles Gallo Ciego, Responso, El recodo, Verano porteño) e de sua autoria (Tango villero, El loco milonga, A Salvador Allende, Feos sucios y malos, Facón Grande, El equilibrista).
Ao final de 2003 gravou seu primeiro CD "La máquina Tanguera" ( A Máquina Tanguera) e em julho de 2005 o segundo, "Ruidos molestos" (Ruídos incômodos), que inclui arranjos de tangos tradicionais e também os tangos próprios.

Apresentações:
Holanda
- De Doelen, Concerto em Concertgebouw, Willem Zaal, Rotterdam
(15 de outubro de 2005)
- Kit Tropentheater, Grote Zaal, Amsterdam
(14 de outubro de 2005)
- Teatro Rasa, Wereldculturencentrum, Utrecht
(16 de outubro de 2005)
- Salão Cristofori, Amsterdam
(27 de junho de 2004)
- Wereld Festival Parade, Brunssum
(21 de julho de 2004)

Bélgica
- Zuiderpershuis, Wereld Culturen Centrum, Amberes
(12 de outubro de 2005)
- De Doos, Cultureel Centrum, Hasselt
(30 de outubro de 2005)

Bulgaria
- Palacio nacional de Cultura, Hall nº 1, Sofía
(16 de maio de 2004)
- Festival Congress Centre, Varna
(12 de maio de 2004)
- Teatro “Ivan Radoev”, Pleven
(13 de maio de 2004)
- Centro Cultural da Cidade, Plovdiv
(15 de maio de 2004)
(Organizado pela rádio Classic Fm da Bulgaria, dentro do ciclo Quarto Festival de Música Européia)

Uruguay
- 15º Festival “Viva el Tango”, homenagem a Osvaldo Pugliese, Praça Matriz e Sala Vaz Ferreira, Montevideo
(12 e 13 de outubro de 2002)

Chile
- Festival Valparatango 2004, na Praça Cívica e no Teatro Municipal de Valparaíso (Chile)
(26 e 30 de janeiro de 2004)

Argentina
- VII Festival Internacional de Tango, no evento principal “Grande Milonga ao Ar Livre”, Buenos Aires
(5 de março de 2005)
- VI Festival Internacional de Tango, Teatro Regio, Buenos Aires
(29 de fevereiro de 2004)
- II Festival de Tango Jovem, Palais de Glace, Buenos Aires, e La Falda, provincia de Córdoba
(10 e 17 de dezembro de 2005)

Outras salas e festivais no mundo:
Dinamarca: Danish Radio de Copenague, Kulturehouse Gimle em Follenslev, Teatro Stars em Vordingborg. Italia: Festival de Tango de Padova, Caffè Pedrocchi em Padova, La Maison Musique em Torino, Auditorio FLOG em Firenze, Festival de Tango de Milão, Festival de Tango de Nápoles. Alemanha: Festival de Tango de Münich, Teatro Sprechwerk em Hamburgo, Grünner Salon em Berlín, Tango Tage Festival de Leipzig, Kulturetage em Oldenburg, e outras milongas em Regensburg, Ludwigsburg, Karlsruhe, Schweinfurt, Schwerin, Erfurt. Luxembourg: 1er , 2do e 3er Festival de Tango e Música Rioplatense no Château de Bettembourg. Austria: Kulturforum Amthof, Feldkirchen. Suiza: Miller’s Studio em Zurich, e milongas em Zurich e Ginebra. España: Festival de Tango de Sitges. França: Milongas em Toulouse e Estrasburgo.
Tradução de Regina Sant'Ana

Grupo Gotan Project



O grupo Gotan Project usa a eletrônica para renovar o ritmo argentino


Carlos Albuquerque - O Globo

* texto originalmente publicado em 27 de setembro de 2003

RIO - Assaltaram a gramática, mas não foram os integrantes do Gotan Project. Eles apenas editaram o tango. Além de inverter suas sílabas, o trio formado por Phillippe Cohen Solal, Christoph Müller e Eduardo Makaroff botou roupa nova no ancestral ritmo argentino. E ficou ótimo. Seu disco de estréia, um brilhante chamado "La revancha del tango", lançado em 2001, reveste o tango de texturas eletrônicas - do dub reggae ao techno - sem perder a ternura e a elegância jamais.

Ironicamente, o Gotan chega ao Brasil - é uma das atrações do TIM Festival - antes do seu próprio disco. Apesar de ter vendido quase um milhão de cópias em todo o mundo, ele não foi lançado aqui. Uma "nape", perdóname, uma pena.

- O disco também não saiu na Argentina, o que é mais irônico ainda - diz Solal, falando por telefone de Paris, onde o grupo nasceu, cresceu e apareceu. - Na verdade, quando ele foi lançado, a situação econômica na Argentina estava muito complicada e não conseguimos um selo ou uma gravadora que pudesse botar o disco nas lojas.

Mas a Argentina não precisar chorar por causa disso. Seu sangue ferve em cada uma das faixas de "La revancha del tango", da arrepiante "Queremos paz", que abre o disco, com um sampler de um discurso de Che Guevara, às regravações de "Vuelvo al sur", de Astor Piazzolla, e do tema do filme "O último tango em Paris", de Gato Barbieri (aliás, argentino também).

- Che Guevara é um dos rostos argentinos mais conhecidos do planeta. Tão conhecido que chega a ser um clichê usar qualquer referência a ele - conta Solal. - Mas resolvemos isso subvertendo o próprio clichê, colocando um guerrilheiro falando de paz, que era tudo o que nós precisávamos em 2001.

Em relação à regravação do tema de "O último tango em Paris", Solal explica que se trata de uma homenagem e também de uma brincadeira.

- Gato Barbieri musicou "O último tango em Paris". E nós estamos fazendo o novo tango em Paris. Dessa forma, achamos que seria interessante jogar com essa dualidade. Além, claro, de a música original ser maravilhosa.

A referência a um filme e sua trilha não foi por acaso. Nem o fato de a música do Gotan Project soar deliciosamente cinematográfica. Antes de criar o Gotan, Solal trabalhou como supervisor musical, atuando ao lado de diretores como Bertrand Tavernier e Lars Von Trier (em "Europa").

- Sem dúvida, o cinema é uma influência indireta no trabalho do Gotan. Temos uma grande preocupação com as texturas e os detalhes. E em nossos shows completamos isso com a ajuda de um VJ, que mixa imagens modernas com outras mais antigas, em preto-e-branco, que dão um ar de dramaticidade que é fundamental ao tango.

Solal fundou o Gotan Project em 1999, ao lado do amigo (suíço) Christoph Müller, ambos músicos, produtores e DJs. Antes, porém, eles surfavam em outra praia, em cima do grupo Boyz From Brazil, em parceria com outro DJ, o inglês Michael Cook.

- Eu amo música brasileira e, por influência dos meus pais, ouvia mais sons do Brasil do que da França quando era pequeno. - explica Solal. - O Boyz From Brazil era uma tentativa nossa de ligar a música brasileira aos ritmos eletrônicos. Naquela época, 1997, 98, ainda não havia muita gente fazendo isso. O projeto foi interrompido, mas não totalmente abandonado. Só que hoje, a concorrência ficou grande. Há muita gente boa no Brasil e no exterior fazendo muito bem essa fusão. E pensando bem, não somos nem jovens nem do Brasil (risos).

O Gotan Project virou trio com a entrada em cena do violonista argentino Eduardo Makaroff. Exilado na França há muitos anos por causa da ditadura militar em seu país, ele teve seu próprio grupo (Tango Mango) e tocou em diversos grupos e orquestras de tango em Paris. Foi Makaroff quem fez a ligação entre o Gotan e músicos argentinos que moravam em Paris, muitos deles exilados como ele.

Convidados pelo trio, o tecladista Gustavo Beytelmann, o percussionista Edi Tomasi, a acordeonista Nini Flores e a cantora (espanhola) Cristina Villalonga, entre outros, entraram em estúdio e deram corpo ao Gotan Project. Mais uma vez, Solal usa o cinema para explicar a fusão entre música tradicional e eletrônica feita pelo grupo.

- A música acústica é realista. A eletrônica é em 3D. O que fizemos nesse disco foi criar ritmos e melodias e deixar os músicos improvisarem em cima disso - conta ele. - Depois, nós editamos tudo, botando efeitos e texturas. Foi como realizar um filme. Nós fizemos o roteiro. Os músicos fizeram os diálogos. Com tudo gravado, nós editamos e dirigimos esse material. Mas não tenha dúvidas. Sem esses músicos, o Gotan Project soaria pobre e sem alma.

A mistura ficou tão boa no disco que acabou sendo levada para os palcos. Em cima deles, o Gotan Project, que depois do Brasil segue em turnê pelos Estados Unidos, é um septeto. Meio homem, meio máquina.

- Fazemos nos shows um pouco do que fizemos no estúdio quando gravamos o disco - diz Solal. - Os músicos garantem a base acústica, orgânica, enquanto eu e Christoph soltamos os efeitos com a ajuda de computadores e teclados.

Esta, porém, não vai ser a primeira visita de Solal ao Brasil. Ele esteve em São Paulo há dois anos, participando da respeitável Red Bull Music Academy, um workshop englobando diversos aspectos da cultura eletrônica, que acontece a cada ano em um país. E ano passado, com o Gotan Project já famoso em todo o mundo, ele repetiu a dose, passeando pelo Rio em novembro. Ele chegou a tocar, como DJ, na festa Boogaloo, que acontece às sextas-feiras, na Lapa.

- Foi ótimo estar tanto no Rio quanto em São Paulo. Meus amigos da Boogaloo me chamaram para tocar de novo este ano, mas não sei se vai ser possível já que vamos levar tanto equipamento para o show que talvez meus discos fiquem em casa.

E Astor Piazzolla, onde o grande mestre entra nessa história?

- Piazolla era um gênio, que levou o tango a outras áreas, como o jazz e a música erudita. O que estamos fazendo é trazer o tango de volta às pistas de dança. E atraindo um público novo para ele. Afinal, somos tão influenciados por Piazzolla como por Kruder & Dorfmeister.

E se você está achando tudo isso - tango, Paris, DJs - muito estranho, talvez seja hora de remixar os seus conceitos. Afinal, Carlos Gardel, a primeira grande estrela do tango, era francês...

O Tango de lá e a bossa daqui



Bits para o tango de lá e para a bossa daqui

Rodrigo Pinto - Globo Online

RIO - Se na Argentina o tango chega aos tímpanos dos mais jovens de carona na música eletrônica , no Brasil, pode-se muito bem dizer, o mesmo ocorre com a Bossa Nova. Nos últimos anos, o que houve de mais palpitante no gênero consagrado por Tom Jobim e João Gilberto para o grande público foi o embalo eletrônico que Bebel Gilberto - muito ajudada pelos produtores Apollo 9 e o falecido Mitar Subotic, o Suba - e mais recentemente o DJ Marcelinho da Lua sacaram para aditivar o gênero ipanemense.

No Brasil, os vapores eletrônicos foram recebidos sem grande choradeira saudosista. Talvez porque o país esteja mais habituado á mistura de sua música a gêneros internacionalizados. Ou ainda porque os indutores da retomada bossanovista sejam brasileiros natos - à exceção de Suba, iugoslavo que se radicou no Brasil em 1990: Bebel, filha do mestre, Da Lua, que colocou o simpático João Donato na trilha dos bits, Kátia B e, mais recentemente, Marcos Valle, com seu 'Jet Samba'. Sem falar nos muitos remixes - especialmente dos DJs Kruder & Dorfmeister e das coletâneas "Café del mar" - de gravações de Astrud Gilberto, que usaram os originais da cantora em novas versões, o que lhes garantiu sotaque verde e amarelo.

Na Argentina, numa ironia semelhante à que, muitas vezes, atribui a paternidade do tango aos uruguaios - ou repete, à exaustão, que o maior intérprete, Carlos Gardel, era francês -, o gênero respirou a renovação por fortes ventos de fora. O Gotan Project ( ouça ), que estive no Brasil no TIM Festival de 2003, nasceu em Paris em 999 pelas mãos dos DJs Phillipe Cohen-Solal (francês) e Christoph Müller (suíço).

- O que estamos fazendo é trazer o tango de volta às pistas de dança. E atraindo um público novo para ele. Afinal, somos tão influenciados por Piazzolla como por Kruder & Dorfmeister - disse Cohen-Solal ao jornalista Carlos Albuquerque , antes da chegada do grupo ao Brasil, em 2003.

Já o Bajofondo tem suas raízes no Uruguai, na Argentina e na França, a tríade máxima do tango. E junta talentos do como o argentino Gustavo Santaolalla, indicado ao Oscar 2006, e o uruguaio Jorge Drexler, vencedor do Oscar 2005 com "Al otro lado del rio", trilha de "Diários de Motocicleta". Tem ainda - e cada vez mais presentes - as mãos do pianista e produtor francês Luciano Supervielle, que dá nome ao segundo disco do grupo ( ouça aqui ).

TANGO ELETRONICO



TANGO ELETRONICO

O Tango encontra ares de renovação na Música Eletrônica

Nascido em Buenos Aires no fim do século 19, o Tango encontrou na Música Eletrônica ares de renovação que geram tanto temor quanto entusiasmo. "Tango Fusion", "TecnoTango" ou "Tango Eletrônico" são alguns dos nomes da nova tendência musical. Entre os precursores do "Tango Eletrônico", estão o Gotan Project e o Bajofondo Tango Club, liderados, respectivamente, pelo francês Phillippe Cohen-Solal, e Gustavo Santaolalla, candidato a um Oscar pela trilha sonora de "O segredo de Brokeback Mountain". O movimento se completa com grupos como Narcotango, Otros Aires, Ultratango, Tango Crash, San Telmo Lounge, Yira, Tanghetto y Malevo Sound Project, que vêm trazendo novas informações ao tango, cuja última renovação musical tinha se dado com Astor Piazzolla na década de 70.

De fato, enquanto alguns discutem se Piazzolla "é ou não tango", os criadores do TecnoTango vêem nele uma espécie de patrono que, se estivesse vivo, usaria computadores para fazer música. O Tango Eletrônico surge da fusão de instrumentos tradicionais do Tango, como o bandoneón, com computadores e samplers, seja em temas remixados, em composições totalmente novas ou utilizando fragmentos de canções clássicas do Tango. A grande pergunta é: "Trata-sede um subgênero do tango ou da música eletrônica?". A resposta depende de cada grupo. Enquanto Bajofondo e Gotan Project definem seu trabalho como música eletrônica, Miguel Di Génova, do Otros Aires, assegura que sua proposta é "90 por cento tango e o resto eletrônico".

O Otros Aires, que em suas apresentações ao vivo utiliza a videoarte, tem uma formação eclética, com gente que vem do tango, mas também com músicos que transitam pelo pop, ritmos latinos, rock e até o punk. Nas discotecas, o tango eletrônico costuma tocar no "After Hours", mas a proposta musical também tem chegado às "milongas", como são chamados os salões para bailar tango, onde, inclusive, está gerando novas formas da dança. Apesar de ter conquistado espaço próprio no VII Festival de Tango a ser realizado nos próximos dias em Buenos Aires, o Tango Fusion também coleciona críticas. Mais conciliador, o presidente do Ateneo Porteño del Tango, Segismundo Holzman, diz que "enquanto não se perder a essência do tango, tem que se respeitar o subgênero, que pode chegar a ser uma variante do tango como uma vez foi Piazzolla.

Fonte: Agência EFE

BUENOS AIRES - Nascido em Buenos Aires no fim do século 19, o tango encontrou na música eletrônica ares de renovação que geram tanto temor quanto entusiasmo. "Tango fusion", "tecnotango" ou "tango eletrônico" são alguns dos nomes da nova tendência musical.

Entre os precursores do "tango eletrônico", estão o Gotan Project e o Bajofondo Tango Club ( ouça aqui ), liderados, respectivamente, pelo francês Phillippe Cohen-Solal, e Gustavo Santaolalla, candidato a um Oscar pela trilha sonora de "O segredo de Brokeback Mountain". O movimento se completa com grupos como Narcotango, Otros Aires, Ultratango, Tango Crash, San Telmo Lounge, Yira, Tanghetto y Malevo Sound Project, que vêm trazendo novas informações ao tango, cuja última renovação musical tinha se dado com Astor Piazzolla na década de 70.
Ouçam as músicas abaixo: Gotan Tango
Una Musica Brutal
Bajofondo - Gotan Project
Mi Corazón

De fato, enquanto alguns discutem se Piazzolla "é ou não tango", os criadores do tecnotango vêem nele uma espécie de patrono que, se estivesse vivo, usaria computadores para fazer música.

- O tango estava aprisionado e o perigo de uma cultura é se converter numa tradição imutável. Esta mudança demonstra que ainda pode haver novas expressões dentro do tango. Mas isso gerou polêmicas, adesões, rancores e ódios - diz Carlos Libedinsky, líder do Narcotango.

O tango eletrônico surge da fusão de instrumentos tradicionais do tango, como o bandoneón, com computadores e samplers, seja em temas remixados, em composições totalmente novas ou utilizando fragmentos de canções clássicas do tango.

A grande pergunta é: "Trata-sede um subgênero do tango ou da música eletrônica?". A resposta depende de cada grupo. Enquanto Bajofondo e Gotan Project ( ouça ) definem seu trabalho como música eletrônica, Miguel Di Génova, do Otros Aires, assegura que sua proposta é "90 por cento tango e o resto eletrônico".


- Alguns fazem música eletrônica e põem toques de tango, mas conservam a identidade própria do som eletrônico. Outros fazem tango misturado com a música eletrônica, mas na base trazem a típica vibração tangueira, melancólica. Nós conservamos o som áspero do tango dos anos 30 e 40 - explica Di Génova.

O Otros Aires, que em suas apresentações ao vivo utiliza a videoarte, tem uma formação eclética, com gente que vem do tango, mas também com músicos que transitam pelo pop, ritmos latinos, rock e até o punk.

Nas discotecas, o tango eletrônico costuma tocar no "after hours", mas a proposta musical também tem chegado às "milongas", como são chamados os salões para bailar tango, onde, inclusive, está gerando novas formas da dança.

Apesar de ter conquistado espaço próprio no VII Festival de Tango a ser realizado nos próximos dias em Buenos Aires, o tango fusion também coleciona críticas.

- Os eletrônicos são os filhos não reconhecidos de Piazzolla. Pegaram o pior dele. Não há a riqueza de melodias internas e há percussão excessiva - opina Gustavo Benzecry Sabá, bailarino e autor de "Glossário da dança de tango".

Para Benzecry Sabá, simplesmente, não é tango:

- É música eletrônica con bandoneón. Se se tira o bandoneón, restam apenas sons eletrônicos. Já o tango, sem bandoneón, continua tango.

Mais conciliador, o presidente do Ateneo Porteño del Tango, Segismundo Holzman, diz que "enquanto não se perder a essência do tango, tem que se respeitar o subgênero, que pode chegar a ser uma variante do tango como uma vez foi Piazzolla.

- Mas o tango é sangue, vem das raízes, e em muitos desses grupos não há a essência do tango - sustenta, para atiçar a aparentemente interminável polémica.


Fonte: OGlobo Online

quinta-feira, 12 de julho de 2007

HISTORIA DO TANGO



Meus amigos! Vou iniciar, transcrevendo a História do Tango, em textos , escrito pelo jornalista Jorge Montes.

O TANGO É AFRO?

O tango, como os que o geraram e conduziram seus primeiros passos, vem da periferia, dos arrabaldes da cidade de Buenos Aires, que se confundia com o pampa. Nasceu órfão e à margem da elite, embalado por um slogan que se tornou axioma: "do fango vem o tango". É impossível determinar com certeza a data em que viu a luz pela primeira vez, nem quem possa ter sido o seu pai, porque é resultado da mistura de diversos condimentos e sabores, dentre os quais os mais importantes são: o canto e a dança dos negros da Buenos Aires colonial, a "habanera" (na Europa, chamada de tango americano) e do "tanguillo" andaluz.
Nos bailes dos negros, marcando a coreografia do candombe, o som da pele do tambor deu-lhe o nome: tan-gó. O eminente musicólogo Ortiz Oderigo opta pela corrente africana ao afirmar que o nome tango constitui-se numa corruptela do nome Xangô, deus do trovão e das tempestades na mitologia dos Yorubás da Nigéria (Africa Ocidental), onde Xangô também era o nome do tambor usado nos rituais. Como afirma Jorge Luiz Borges: " O tango é negro na raiz".
Este tom escuro resulta na mais evidente cor racial do tango, porque , em 1865, o ator canadense residente em Buenos Aires, German Machay, cuja formação shakespeariana deveria mantê-lo afastado dos ambientes frequentados pela gente de raça africana, parodiava seus gestos e linguagem, personificando comicamente o Negro Schicoba, na interpretação de canto e dança chamados tango. Mesmo que estivesse longe do compasso que foi mudando com os anos, o ritmo da canção entoada por McKay, cuja partitura ainda existe, viria a fazer do velho candombe a dança oficial dos negros: o Negro Schicoba, escrita em 2/4,mostrava, em seus compassos de "habanera", certos traços do que viria a constituir-se o som e a estrutura musical do tango.
No século passado eram populares várias espécies de tango: o "tango andaluz" (1855-1880), o "tango cubano" e outras variedades. Os conhecidos como "tangos africanos" eram interpretados pelos artistas das companhias espanholas que atuavam na cidade e entravam em cena caracterizados de negros, tal como fazia McKay e outros atores americanos , animando os minstrelsy, espetáculos onde artistas brancos pintados de negro parodiavam seu canto e sua dança. Várias décadas depois, em 1927, Al Johnson continuava essa moda, fixando nas telas esta caracterização ao interpretar " cantor de jazz", filme que inaugurou a era do cinema falado.


O TANGO ALEGRE

" A fase do tango alegre alcançou sua maior intensidade no bairro da "Boca", que - segundo José Sebastián - entre 1916 e a 1918 era o centro noturno do tango típico e de outras "diversões" extras. Assim ele o descreve: "Um bairro de glutões, bêbados e de prostituição. Os restaurantes, botequins e adegas dividiam a clientela entre as desordens, a loucura, os hóspedes clandestinos, prostíbulos, cafés-conserto e bares. Cruzando a Riachuelo, chega-se à ilha Maciel. Lá ficava "El Farol Colorado", famoso bordel onde eram projetados filmes pornográficos para animar o baile. Nestes lugares, o tango era uma coisa de machos, assim como uma dose dupla de absinto ou uma punhalada. Entretanto, outro ensaísta famoso, o uruguaio Daniel Vidart, reconhecendo e aceitando a infância cansada do tango, explica: " Mas o tango também foi dançado pelos carregadores, feirantes, lixeiros e peões, e foi a música das lavadeiras, passadeiras e costureiras dos cortiços: e foi cantado nos prostíbulos, sim, mas foi também o vento jovem das praças, a alegria das esquinas, a música das pianolas e a campainha dos bondes dos operários".

Tango é cultura, vamos conhecer o tango.


O TANGO, TANGO.

“Depois de resgatar da névoa obscura do tango e dos ensaios intelectuais todas estas teorias, o fato mais legítimo que possuímos a respeito do nascimento do tango, tal como hoje o conhecemos, é que esta dança passou a brilhar suas filigranas milongueiras nos bailes do sub-mundo, que aconteciam na periferia e arrabaldes de Buenos Aires: Corrales Viejos (hoje conhecido como Parque Patrício), Bateria (hoje , Retiro), Santa Lucia, em Barracas Al Sur (hoje Avellaneda) e em Ricoleta, onde hoje existe o aristocrático parque com o mesmo nome. A proximidade com o pampa de Buenos Aires frutificou nos muitos títulos de tango com termos campestres: La Tablada, El Cencerro, El Buey Solo, La Trilla, Bataraz, El Baqueano, La Huella, e outros. Os vaqueiros e carreteiros que vinham do pampa trazendo gado, ao chegarem à periferia da capital, trocavam seus trajes de gaúcho por outra roupa mais urbana, em lugares feitos especialmente para esse fim, e logo entravam na cidade, já então com as roupas pitorescas dos malandros do subúrbio.
Este elemento lumpen era o senhor dos arrabaldes, composto de compadres, malandros e arruaceiros. Esses personagens semoviam no cenário feito de casas de danças e bordéis baratos. É aí onde começa a trajetória do tango que o levará a alcançar a primeira etapa de sua identidade musical, quando sua orquestra típica “criolla” é criada. Do contato infame com os bordéis, aparece uma série de títulos com duplo sentido: “El Choclo”, “La Flauta de Bartolo”, “La Cara de la Luna”, “La Budinera”, “Dame la Lata”, “El Serrucho”, “El Queco”, “Aqui se Vacuna”, “Che”, “Sacámele el Molde”, “Três al Hilo”, entre outros.
Esse ambiente fez com que o tango fosse umamúsica proibida. Não só pelos personagens e lugares onde era executado, mas também pela maneira dos pares dançarem, tão agarrados, dando-lhe um caráter erótico e carnal difícil de se disfarçar. Claro que se tratava de um pecado nem sempre palpável, já que para um bom bailarino o tango constituía-se num rito de respeitável liturgia. Carlos Veja, profundo estudioso da dança universal, expressava, num artigo publicado pelo jornal “La Prensa”, em 54, referindo-se à sua coreografia solene: “Dançar (tango) é algo grave e profundo; os interesses da espécie se acendem em seu vigor e inspecionam sua eficácia. Quando se dança não se ri.” E mais adiante: “Era necessário voltar à dança. Em algum lugar do mundo, num ambiente afastado, haveria de ser realizado este baile salvador. E isto aconteceu. Homens de todas as classes sociais e anônimas mulheres de bordel promoviam seu nascimento: entre ligas à mostra e facas escondidas, a cidade de Buenos Aires paria a grande dança do século XX. Surgia o “tango argentino”. Apesar de sua inegável grandeza e da clara concentração do bailarino na pista a executar três ou quatro floreios, até uns 20 anos atrás ( e talvez até hoje ainda, em algum bairro afastado), em certos clubes ou bailes familiares, não faltava um fiscal, com uma lanterna na mão, zeloso a repetir até a exaustão: “Haiga luz!... Haiga luz!...” (solicitando que os casais se afastassem para que ele pudesse ver ao menos um facho de luz entre eles).

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Os 4 Tangueros



Os 4 “Tangueros”

Após observações, você poderá verificar que existem 4 tipos de apreciadores de Tango: Tanguero de Teatro;
Tanguero de Academia;
Tanguero “Quase”
e Tanguero Milonguero.

Em primeiro lugar, faz-se necessário dizer que o termo “tanguero”, como se verá ao final, só deveríamos aplicar ao último ...

Tanguero de Teatro: É aquele que lembra do Tango quando chega alguma apresentação em algum teatro da cidade. Não discute o preço do ingresso e vai a todas. Possui um “vasto” repertório que é de seu conhecimento, que vai de “El Choclo”, Caminito, A Média Luz, Yira...Yira, Uno, Cambalache. Ah, tem aquela do filme...(Por una Cabeza...) e a outra que sempre encerra os espetáculos (La Cumparsita). Ah, e tem aquela do “bis” (Adiós Pampa Mía). E milonga? Conhece Milonga Sentimental, mas observa que é um “tango tão diferente, estranho”. E por fim, não tem coragem de iniciar-se na dança, pois o que viu lá no palco, assume como “uma arte que é o máximo, mas que não é para os simples mortais”...

Tanguero de Academia: Criou coragem. E foi aprender aquela dança... Foi logo a uma academia, pois é mais seguro, já que lá tem aquele professor exímio e reconhecido em salsa, samba, bolero e forró, que certamente deve ensinar tango, pois soube que “”ele já foi uma vez” a B. Aires e teve aulas com os expoentes de lá... O tanguero de academia é perfeitamente reconhecível: após algumas aulas, já está “dançando tango”: sanduíches, oito com ganchos, e outras “cositas más”. Mas sente um desconforto danado quando chega às milongas: para ele, um local de um pessoal estranho, dançando curtinho, uma caminhadinha pra frente, outra pra trás, um oito aqui outro ali, tudo num espaço reduzido; nem sabem fazer aquelas figuras maravilhosas (“uma coisa simples e sem graça, ele pensa e, ainda por cima, nem usam todo o espaço, ficam somente dando voltinhas por fora da pista”...). Sente-se mais à vontade nas aulas, lá na academia...

Tanguero “Quase”: Avançou um pouco mais: vai a todos os eventos e milongas, aliás, “quase” todos. Já possui uma boa coleção de CD’s, “quase” todos os que conseguiu comprar naquela última ida à Buenos Aires. Sim, ele vai “quase” todos os anos para lá...onde pode conhecer “quase” todas as clássicas milongas (La Viruta, Canning, Niño Bien...). Mas, se não fosse o “quase”... ele seria um Milonguero!

Tanguero Milonguero: Não respira mais oxigênio, solo Tango ! Vai a todas as milongas. Gosta de sentir o ambiente, e vivenciá-lo! Consegue ouvir e sentir diferenças: Pugliese, D’Arienzo, Di Sarli, Sassoni são seus preferidos, e, as músicas: A La Gran Muñeca, Derecho Viejo, Bahia Blanca, Don Juan, integram a tanda perfeita. É humilde: está sempre buscando se reciclar; quando tem oportunidade refaz cursos básicos, para relembrar a técnica. Continuamente, poupa para viajar o máximo de vezes que puder para a terra do tango, pois sabe que lá consegue, a cada vez, captar uma nova sensação, somente possível no ambiente perfeito de uma autêntica milonga porteña. Admira o tango de palco, cuja prática o distrai, mas sente que o caminho está no salão, onde as sensações se encontram, e a frase famosa se torna realidade: “Tango, um sentimento que se baila” !.
Texto: Oldemar de N C Teixeira, Curitiba, 2006. Engenheiro, profissional do turismo há 15 anos, é diretor da empresa P1 EVENTOS e franqueador da marca “Poltrona 1 Turismo”.

sábado, 7 de julho de 2007

Vamos Bailar Tango? Bailes, Milongas e seus códigos...



Bailes , Milongas e seus códigos.

VAMOS BAILAR TANGO?

Para você que está iniciando no Tango, é necessário primeiramente tomar conhecimento do que é uma Milonga - o lugar onde se realiza os bailes de Tango - e como funciona uma Milonga. Milonga é o lugar onde se baila o tango, vals, milonga e outros ritmos, com seus códigos e rituais próprios. Milonga não designa, neste caso, o ritmo específico, assim denominado. Por outro lado, Milonga se diferencia de outros espaços como academias, práticas, cursos, etc., onde se aprende e se pratica o tango.Veja abaixo como funciona uma Milonga , no trecho extraido do Boletim Rio Tango - Editorial de R.M.
"Como funciona uma Milonga? Primeiramente, quem comanda a noite deve ter o ritmo do baile estruturado. A música é tocada em seqüências curtas, de mais ou menos três ou quatro tangos, geralmente gravações da mesma orquestra, semelhantes em estilo. A seguir, um bloco de valses ou de milongas. É bem comum dançar uma seqüência inteira com o mesmo parceiro. Após vários blocos ou tandas, toca-se algumas músicas de dança de salão, para variar e agradar aos que ainda não dançam o tango. Depois disso, tornam a tocar novas tandas, com tangos de outro estilo, milongas e valses e assim por diante. Entre os blocos, um breve trecho de música considerada “não dançável” é lançado ao ar e nisso, todos retornam aos seus assentos. Essa pequena interrupção é chamada cortina. Para a próxima seqüência, encontra-se um novo parceiro.
Demonstra-se educação e cavalheirismo quando, após um bloco de músicas, a dama é reconduzida ao seu lugar pelo parceiro. São pequenas regras de etiqueta que fazem da Milonga ou Baile de Tango um acontecimento agradável e estimulante para seus freqüentadores."
Boletim Rio Tango(RM)

Tangueiros Veteranos e Amadores - que agora também já sabem o que é uma Milonga e como ela funciona . Então que tal uma Classe de Tango pelo video editado na pagina de video neste portal?
Mas antes vamos dar aqui (apenas a teoria) dos passos básicos do cavalheiro:

Inicia com os dois pés juntos, depois
1- direita atrás, fecha com esquerda:
2- esquerda ao lado, fecha com direita:
3 - caminha direita à frente e ...
4 - caminha esquerda a frente e ...
5 - fecha com direita a frente...
6- passa a esquerda entre as pernas da dama:
7 - marca ao lado com a direita: 8 - fecha com a esquerda.

Agora é só ver o video , vá na pagina de VIDEOS ,prestar bem atenção , sei que vão gostar . E se não entenderem, procurem nossos mestres de Tango e academias locais, só assim poderão curtir as Milongas.

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A MILONGA


Por Marcela Junqueira

Entrar em uma Milonga é ingressar num Mundo distinto, único, especial que vale a pena conhecer. Alí não existem títulos, licenciaturas, professorados, status econômicos, nacionalidades, nem diplomas.
Quem melhor baila pode aspirar à "mais linda", "a especial", "a desejada", e as mulheres podem aceitar a proposta do "mais preparado".
Os passos, o compasso, a cadência, a mirada, a presença, o abraço, o saber caminhar, são verdadeiras cartas de apresentação no momento da escolha do parceiro(a).
Lá fora ficam os automóveis, a casa de campo, os negócios, as grandes empresas. Não há diferenças sociais nem culturais. Não importa como vive; nem siquer quem és. Não interessa o idioma nem sua linhagem.
Por alguma extranha razão esses não são os parâmetros em questão. E mais, quem pretender vangloriar-se com tais méritos e não bailar bem, seguramente estará predestinado(a) a "ficar sentado" até que conheça os códigos próprios da Milonga. Porque ao entrar alí, todos somos iguais e os valores passam para o outro lado.
É tão frequente a sedução da mirada ao convidar a bailar e sua correspondente aceitação; tão significativo o abraço (o do homem como o da mulher); sentir em carne propria o compasso do dois por quatro e poder transmitir à parceira escolhida que os "bens materiais" e os "títulos de nobreza" não contam aqui. É um lugar onde não se considera a raça, o carater nem a origem da pessoa. Trata-se de uma reunião social que une os seres humanos com o poder de sua magia e o misterio de seu encanto.
Podem vir de lugares distantes, com muito dinheiro, provenientes de grandes metrópoles, viver em lugares humildes ou em luxuosos apartamentos situados em distintos bairros da cidade.
Podem se apresentar com as melhores roupas, o vestuário da moda, sapatos caros comprados nas casas mais famosas de Buenos Aires ou com o velho traje que desde muitos anos usam para milonguear.
Estes atributos pouco significam ao cenário do baile e seriam, talvez, temas secundários para se discutir depois...
O Tango começa com a Mirada, a escolha da parceira desejada; entra pelos ouvidos para escutar a música, daqui vai ao coração chegando ao sentimento e se sublima nos pés através dos passos. Só isso importa... Só isso existe...
Os olhos, o corpo, o deixar-se levar ou o saber conduzir, são os elementos necessários para começar o encontro , porque esta dança tem "calor" e devemos juntar a alma e a sensibilidade.
É na Milonga onde o desejo se une à paixão, os passos ao compasso, os corpos se movem juntos em perfeita harmonia e os corações se entrelaçam em suas batidas sem que haja falta nenhuma de outra apresentação para compartilhar esse maravilhoso momento...
Texto extraido do B.a. Tango - Traduzido por Elza Moreira

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A Pista de uma Milonga.


"Bailar o tango é basicamente uma situação íntima entre duas pessoas, que estão, por sua vez, dividindo esse espaço com muitos outros Dançarinos. Trata-se de conduzir na pista com cuidado e respeito. Apesar de ser muito prazeiroso bailar, o objetivo principal é o encontro e comunhão com o outro na mesma experiência.É a Dança mais íntima que existe entre duas pessoas. Na última década, o que foi modificado, é que se associa a Dança do tango ao profissional. Anteriormente, o salão de baile, era essencialmente um lugar de encontro social. Dada a grande quantidade de novos Dançarinos profissionais que existem, às vezes se usa a Milonga como um lugar para se exibirem .Não falamos das atuações especiais de bailarinos que fazem apresentações de tango, e sim do baile coletivo. É certo que os jovens têm grande entusiasmo e energia. Mas em certos casos, na ansia profissional, fazem figuras de exibição em uma pista lotada : isto complica o seu bom funcionamento. É gratificante a multiplicação de práticas , onde os bailarinos podem explorar figuras complexas à vontade. Não existe cortina, nem tandas, nem códigos restritos. Somente espaço, música e liberdade.

O que elas querem: Na maioria dos casos, um bom abraço e um bom esforço é muito mais importante para elas, que muitas figuras complexas. O magnetismo que gera entre os dois torsos permite uma boa Dança. E estão enfocadas em complementar-se com o homem. Agradecem quando eles são cuidadosos , e não marcam figuras que provoquem movimentos maiores que o lugar que a dupla têm disponivel a cada instante. Não necessitam que o homem lhe mostre todas as figuras que ele sabe. Para muitas delas, somente "caminhar" pelo salão abraçados é suficiente.

O que eles querem: Comemoram que confiem e se deixem levar. Esperam com sua postura de Braços, elas não bloqueiam a sua condução da Dança e que apesar de se entregarem ao abraço, não percam o seu eixo. Que na hora de fazer adornos, continuem conectadas com ele, para não tomar tempo demais, já que eles devem estar manejando infinidades de situações, às vezes sobre tudo calcular movimentos dos que estão ao seu redor e fluir com a corrente para seguir avanzando..

E o que todos queremos é agradar ao parceiro de tango. Trata-se disso.Um dos maiores acertos da estrutura que tem a milonga, dividida em tandas, é a possibilidade de trocar e escolher novos parceiros a cada momento. E viver com cada um , uma experiência única."

Afinal, como dizia acertadamente um slogan recentemente: "Bailás bien, sos lindo..." .

Texto extraido da Revista El Tangauta - Buenos Aires - Comentário de Milena Plebs (Traduzido por Elza Moreira

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MILONGA

OrigemA palavra milonga é uma corruptela de "milongo", do dialeto Banthu da África, que era uma dança executada por mulheres para encantar os homens. Quando os escravos desembarcaram na região do Rio da Prata no séc. XVIII, trouxeram consigo esta expressão cultural. O hispânico que ali vivia assimilou o milongo e transportou-o da percussão para a sua guitarra. Daí surgia a milonga arrabalera. Logo a música sofreu modificações, e chegando no campo o gaucho deu-lhe o ar triste e nostálgico, assim nascendo a milonga campera. O tango surgiu da milonga(segundo algumas teorias, pois a origem do tango é controversa), pode-se inclusive notar a forte semelhança de alguns tangos com algumas milongas do R.S., Uruguay e da própria Argentina. Hoje existem a milonga campera, milonga arrabalera, milonga fogonera, milonga galponera, milonga de contrapunto...Escrevi muito superficialmente, pois sei pouco e creio que possa haver alguns erros, pois nem sempre as fontes consultadas são corretas. O objetivo desta comunidade é reunir músicos, historiadores e interessados em geral para discutir sobre esse gênero musical que tão bem representa o gaúcho das três pátrias.

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DANÇAR FAZ BEM!
Dançar é uma atividade física que, como qualquer outra, traz muitos benefícios à saúde: ativa a circulação, favorece os pulmões, a elasticidade, o alongamento,entre outros benefícios. Mas a dança é mais do que um simples exercício, ela também influencia de maneira positiva a mente humana.Formado em Comunicação e Artes do Corpo,`Peterson Costa explica que a dança se torna uma "dimensão de autoconhecimento a partir do momento em que deixa de ser apenas um movimento mecânico" e se transforma em uma maneira de manifestar o pensamento, sentimentos e emoções. Além de desenvolver a parte motora e a capacidade de se expressar, é por meio da dança que muitas pessoas conseguem perceber a maneira de se relacionar com os outros. Por isso, a dança também tem sido usada como forma de terapia.
Texto extraido da revista Natura.